Introdução

Sophie Anderson - Scheherazade Sophie Anderson (1823–1903)

O Orientalismo foi amplamente estudado, principalmente a partir do século XIX, numa altura em que era o Romantismo a corrente artística em voga. Mas não foi por este motivo que o Orientalismo se deixou subordinar; antes, fundiu-se com o Romantismo, engrandecendo-o e
ampliando-o. Dá-lhe um novo caminho para explorar, pautado pelo onírico e, paralelamente, pelo tangível.
É neste embrenhar na cultura ocidental que surge a Scheherazade, a mais icónica obra de Rimsky-Korsakov, baseada nos contos de As Mil e Uma Noites. Foi composta durante o verão de 1888, tendo que para isso pôr em pausa a conclusão a que se dedicava da
ópera Príncipe Igor de Borodin.
Esta suíte tem o nome de uma das maiores heroínas da literatura, uma contadora de histórias que, munida apenas do seu talento, desafia o sultão que há anos massacrava a população feminina do seu reino. Embora a ideia de Rimsky-Korsakov não fosse a de descrever com
detalhe os contos da Scheherazade, pintou tão minuciosamente os ambientes a eles associados que é impossível resistir a uma imersão nesta história.
Ao longo do trabalho tento focar o que levou a que se desse a inclusão do Orientalismo no nacionalismo russo, e, dando um passo atrás, qual a origem da mudança de pensamento que passou a valorizar tanto as origens. Posteriormente, concentrar-me-ei na influência que esta alteração teve em Rimsky-Korsakov, e em como ele conseguiu contar a história de uma das mais célebres contadoras de histórias.