Orientalismo
O orientalismo, mais que um conjunto de temáticas, traduz o deslumbramento com que são retratadas várias civilizações, incluindo o extremo Oriente, a Índia, Ásia central e Médio Oriente. É, essencialmente, uma perspetiva europeia que não reflete o pensamento dos povos dessas áreas tão diferentes e ao mesmo tempo tão interligadas.
Por volta de 1830, começou a surgir um estilo puramente nacional em alguns países como a Polónia, Boémia e na zona escandinava, tal como na Rússia.
O estilo russo era caracterizado pela inclusão de música folclórica, cantos litúrgicos russos, danças Cossacas e Caucásias, e o toque dos sinos, que se tornou quase num motivo particularmente recorrente na música russa.
A sonoridade modal dos cânticos russos e da música folclórica foram particularmente importantes para os compositores do século XIX, como é frequentemente encontrado em Stravinsky, Glazunov e Rachmaninoff.
Foi Glinka quem deu os primeiros passos no sentido de criar uma música inteiramente russa, sendo o pioneiro na introdução de elementos Caucasianos, Turcos e Persas. Esta inovação foi primeiramente identificada pelo crítico Vladimir Stasov e atribuída, por ambos, às influências históricas e culturais que o Este teve no passado da Rússia. O próprio Stasov afirmou que “muito do oriente havia entrado na formulação da vida russa (…) atribuindo-lhe uma peculiar paleta de cores (…)”.1
O orientalismo tornou-se num dos aspetos mais singulares da música russa. Tornou-se numa extensão do romantismo na medida em que também intrinsecamente a si estavam ligadas quaisquer emoções. Como a Rússia se encontra situada entre o Este e o Oeste, faz sentido que esteja ligada a ambas as culturas, não vendo o Oriente com a mesma nítida distinção dos povos ocidentais.
São exemplos do orientalismo na música russa o poema sinfónico Tamara de Balakirev, as Danças Polovetsianas que fazem parte da ópera Príncipe Igor de Borodin, a suíte sinfónica Scheherazade de Rimsky-Korsakov.